segunda-feira, 20 de outubro de 2014

William Shakespeare turns 450

... and is worth an estimated US$ 650 million today!

In celebration of William Shakespeare's 450th birthday, CNN used Brand Finance research to highlight his impressive career and brand value of US$ 650 million.



sábado, 21 de setembro de 2013

Fazendeira do asfalto

Mais uma vez, me encontro numa encruzilhada profissional onde desejo de coração encontrar uma nova maneira de trabalhar, de me sustentar, que seja a expressão de meus anseios mais íntimos.

Tantas vezes assisti a vídeos ou li postagens sobre agricultura urbana, mas agora, ao fazê-lo novamente, me pergunto, poderia o caminho ser por aí, um dia? Não penso apenas no cultivo de legumes e hortaliças, mas também no plantio de mudas de árvores - frutíferas também, por que não? - nativas do bairro em que moro. Afinal, um de meus anseios ainda não atendidos é o de plantar um arboreto...

A palestra de Mohamed Hage no TEDxUdeM (Universidade de Montreal, Canadá) em Maio/2012 me remete à cobertura de meu prédio, 360° de cimento sem uso. E a um amigo inovador e pioneiro que transformou em orquidário, o telhado de sua casa em plena São Paulo. Mais um item para o cardápio, flores?


Tantas vezes sonhei em um dia comprar a cobertura do condomínio, reforma-la e me mudar para lá; quem sabe ela mereça outro uso - melhor?

Minha mente divaga...


domingo, 26 de maio de 2013

Celebrando as origens


O Museu de História Natural em Londres, Inglaterra.


Programão em Londres para o público dos 8 aos 80 (e mais): o Museu de História Natural inaugurou em Novembro, a nova galeria Cadogan que abriga os 22 objetos mais relevantes de sua imensa coleção de mais de 70 milhões de ítens tanto em termos de seu impacto para o desenvolvimento da ciência quanto por sua importância histórica, cultural e estética.

A nova Galeria Cadogan, aberta em Novembro 2012,
para a exposição da deslumbrante coleção de tesouros do museu.

Os tesouros vão de rocha da Lua ao dente fossilizado do primeiro dinossauro identificado, um Iguanodon, passando por delicadíssimos modelos em vidro de espécies marinhas ao livro mais caro do mundo, "Birds of America" de John James Audubon, publicado entre 1827 e 1838 - este, um "favorito" meu e do colecionador que pagou USD 11,5 milhões por um raro exemplar levado a leilão pela Sotheby’s de Londres em 2010.

 
1. Fragmento de rocha da Lua de cerca de 3,7 bilhões de anos coletada pela Apollo 17, última missão a Lua.
2. Dois dos primeiros dentes de Iguanodon encontrados, de 141 a 137 milhões de anos.
3. Um modelo ampliado de radiolária Aulosphaera elegantissima Haeckel, confeccionada em1862 pelo tcheco Leopold Blaschka.
4. Volume do livro "The Birds of America" de John James Audubon, mostrando a lâmina 1, um peru selvagem. Brown thrashers, ave canora da família do sabiá, e papagaios da Carolina.

A peça mais valiosa é o fóssil de Archaeopteryx, o primeiro pássaro de que se tem notícia, e fundamental para a comprovação de que os pássaros modernos evoluíram dos dinossauros. Isto serviu para reforçar a Teoria da Evolução de Charles Darwin E de Alfred Russel, co-autor da teoria como se pode constatar através de parte de sua coleção de insetos. Aliás, como não poderia deixar de ser, uma edição original do livro de Darwin “A Origem das Espécies”, publicado em 1859, é um dos tesouros abrigados pela nova galeria.

Fóssil Archaeopteryx lithographica de cerca de 147 milhões de anos.
Insetos da coleção pessoal de Alfred Russel Wallace, coletados no Sudeste da Ásia entre 1854 e 1862.
Raro volume da 1a edição do livro de Charles Darwin, "Sobre a Origem das Espécies", publicado em 1859.

Fazendo companhia aos fósseis de Iguanodon e de Archaeopteryx, está um ítem mais recente, o crânio de 50 mil anos de nosso primo Homo neanderthalensis, o primeiro a ser descoberto, em 1848.

Crânio de cerca de 50 mil anos de Homo neanderthalensis, de uma fêmea adulta, o primeiro a ser encontrado,  em 1848 em Gibraltar.

Ainda identificando origens, desta vez de métodos e processos, a coleção em exibição de plantas secas e prensadas de George Clifford, de 1730, serviu de base para que o botânico sueco Carl Linnaeus elaborasse o método de classificação e nomeação de espécies, vegetais e animais, ainda em uso nos dias de hoje. O primeiro nome do binômio adotado por ele identifica o gênero e o segundo, a espécie. Foi assim que os “primos” tomate e beringela viraram Solanum lycopersicum e Solanum melongena.

Folhas de plantas secas da coleção de George Clifford, preparadas na década de 1730.

Entre as peças selecionadas, encontra-se uma simples casca de ovo de pinguim Imperador. Trata-se de um tributo ao esforço e empenho humano em nome da Ciência como os demonstrados pelo time de três cientistas da trágica expedição do Capitão inglês Robert Falcon Scott ao Pólo Sul em 1911: para coletar apenas cinco ovos, por cinco semanas eles fizeram uma penosa caminhada de ida e volta, no escuro e sob temperaturas de -40° C, a uma colônia dessas aves distante 100 km de seu acampamento.

Ovo de pinguim imperador coletado em 1911 pela expedição de Scott a Antártica. O orifício mostra onde o embrião foi retirado para estudo.

A concha de Nautilus entalhada pelo holandês Johannes Belkien no fim do séc. 17 tem valor cultural inestimável por integrar a fabulosa coleção de Sir Hans Sloane que, após sua morte em 1753, foi adquirida pela Nação e deu origem (mais uma vez) ao acervo do Museu Britânico e, posteriormente, ao do Museu de História Natural. Uma homenagem ao espírito curioso do colecionador e a seu desejo de compartilhar com acadêmicos e com o grande público as maravilhas do engenho e da criatividade humana e do mundo natural.

Concha de Nautilus pompilius entalhada pelo artista holandês Johannes Belkien no fim do séc. 17; uma das mais belas peças da vasta coleção de Sir Hans Sloane que deu origem aos acervos do Museu Britânico e do Museu de História Natural.

sábado, 17 de novembro de 2012

Revoadas sobre Roma


Estive em Roma no Inverno e, preparada que estava para apreciar as artes, a arquitetura, a gastronomia, a moda, a religião – grandes atrações da cidade - fui surpreendida por um espetáculo da natureza, a murmuração de estorninhos.


Murmurações de estorninhos sobre Roma, Itália


Estorninhos são passarinhos que, na Europa, após o período de reprodução no Verão, migram em bando do Norte do Continente em direção ao Sudoeste a partir do Outono. Aparentemente, Roma é uma Meca neste roteiro, chegando a ser invadida por mais de cinco milhões dessas aves a cada ano.
 



Murmuração é como se chama um bando de estorninhos que pode conter de algumas dezenas de milhares a mais de um milhão de indivíduos. Depois de passar o dia dispersos em pequenos grupos, atrás principalmente de insetos em campo aberto, eles reúnem-se no final da tarde para juntos passarem a noite em segurança.

Murmurações de estorninhos

O balé executado no céu pelas murmurações, com movimentos e coreografias espetaculares, é uma tática de evasão de predadores, onde o indivíduo indefeso transforma-se num ser grande e extremamente ágil, difícil de ser apanhado, especialmente se evitar permanecer nas bordas da murmuração. Os passarinhos demonstram uma sincronicidade espantosa. A ciência explica que cada um deles fica de olho em outros sete à sua volta, imitando instantaneamente qualquer variação no vôo de seus vizinhos. No mar, as sardinhas fazem o mesmo.

Murmuração de estorninhos
 
Nos tempos atuais em que a sociedade dos humanos passa a se organizar e atuar cada vez mais em rede, o fenômeno da murmuração e da imitação dos estorninhos já é objeto de estudo nos processos de comunicação, disseminação e adoção de ideias e comportamentos coletivos.
 
Estorninho europeu (Sturnus vulgaris)
 
Cai a noite e os estorninhos recolhem-se a suas árvores-dormitório seguindo os indivíduos que, durante o encontro na murmuração, lhes pareceram mais bem alimentados para, na manhã seguinte, partir com eles para as áreas de comida mais farta. Como tudo tem um preço, terminado o espetáculo, a cidade eterna, transformada em enorme poleiro, enfrenta então um também eterno problema, como dizem alguns, o de lidar com os excrementos dos acrobatas voadores.
 
Portanto, estacionar debaixo das árvores durante a noite está fora de questão e ter um guarda-chuva à mão faça chuva ou faça sol, pode vir bem a calhar, especialmente numa caminhada ao longo do Rio Tibre: os estorninhos têm predileção pelas árvores que o margeiam. Que o digam os membros da patrulha da Liga Italiana de Proteção de Pássaros que, ao fim do dia, vestidos da cabeça aos pés em macacões de plástico, de máscara e munidos de megafone, tentam espantar os passarinhos das árvores tocando em alto volume, gritos de socorro da própria espécie. Alguns resistem e os que se vão, apenas transferem o problema para uma outra árvore na cidade...

Carro estacionado à beira do Rio Tibre coberto por excrementos.
Patrulha da Liga Italiana de Proteção aos Pássaros tentando espantar os estorninhos das árvores  às margens do Rio Tibre com a reprodução em alto volume de gritos de socorro da própria espécie.
Alguns estorninhos resistem e outros se vão, mas não para muito longe,
apenas transferindo o problema para outro lugar.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Up close and personal with Caravaggio


For a long time, the religious thematic omnipresent in old Italian art, prevented me from duly appreciating it. In museums and galleries, I would skim over the works of art in order to avoid the growing suffocating sensation. Caravaggio's canvases in particular, intense and sometimes even violent, sort of repelled me.
 
Contarelli chapel in the church of Saint Louis of the French, in Rome,
decorated with canvases by Caravaggio illustrating the life of Saint Matthew.

But, there I was, immobilized in my surprise in front of scenes of Saint Matthew's life painted by Caravaggio. The characters, so alive, did all but jump off the canvases when suddenly lit by Cantarelli chapel's floodlights in the church of Saint Louis of the French in Rome. A contrast with the dimly lit areas of the rest of the church and with the gray and rainy afternoon outside.

"Vocazione di San Matteo", 1599-1600.
"San Matteo e l'angelo", 1602.
"Il Martirio di San Matteo", 1600-1601.

That would be the first of a series of "contacts" I would have with Caravaggio and which would make me increasingly aware and receptive towards the man and the artist he was.  After decades of absence, I had arrived in Rome earlier in that day of November 2010, year of the painter's 400th death anniversary, and banners and posters were scattered throughout the city announcing exhibitions and events about his work.
Francesca Cappelletti, expert in the Italian Barroque.

Days later, my hostess invited me to an exhibition of the German Renaissance painter Cranach at the Borghese Gallery accompanied by her teacher of History of Art, Francesca Cappelletti. I later learned, she is one of the greatest living specialists in Caravaggio's work.

A 1602 painting, "La Cattura di Cristo" was commissioned to Caravaggio by Ciriaco Mattei. After having been missing for centuries, it was located in the 90s in Dublin, Ireland, where it is has since been on display in the National Gallery of Ireland.

Francesca's involvement with Caravaggio started when she, still a student, participated in a cataloguing work of the artist's paintings coordinated by one of her teachers. She could hardly know then that this would eventually turn her into one of the leading characters of the chase for a famous Caravaggio canvas, “The Taking of Christ”, of 1602, which had gone missing in the late 1700s. Finally located in Ireland in the 90s, the painting today is the main work of art on display in the National Gallery of Ireland, in Dublin.

"The Lost Painting", by Jonathan Harr, was published by Random House in 2005.
In 2006, the Italian and Brazilian editions came out, respectivelly by Rizzoli and Intrínseca.

A true detective story, it ended up transformed into a best-selling novel, "The Lost Painting", by American writer Jonathan Harr, published in 2005. And it was by giving me the Italian edition of the book that my hostess bid me farewell at the end of my Roman stay.

In the old Rome city centre, the Isola dei Mattei, a block that in the 16th and 17th
centuries, gathered several palazzi of that powerful family.

My hostess lives in an apartment in a palazzo located in the isola dei Mattei, a block in the old Rome city centre that gathers several palazzi built between the 16th and the 17th centuries by the Mattei, a then powerful family since the Middle Ages. The palazzo used to be the residence of Ciriaco Mattei who, at the turn of the 16th to the 17th century, was one of the most important arts collectors and benefactors in Rome. Remains of his ancient marbles collection can still be seen in the patio. The days I spent there were impregnated by stories about him and his family, the architecture of his residence visibly reflecting a more sober personality than that of his brother Asdrubale, owner of the neighbouring palazzo, to me, overly decorated.

What was my astonishment then, when I finally read “Il Caravaggio Perduto”, to discover that between 1602 and 1605, sponsored by Ciriaco, Caravaggio lived in the latter's house, accommodated, precisely, on the same floor as me! In that period, he made several paintings commissioned by his patron, there included the lost and then found “The Taking of Christ”. The theme of that painting was suggested to him by another of Ciriaco's brothers, Cardinal Girolamo, who, being single, also lived in his elder brother's home.

Additionaly, this story took on a Brazilian turn. Today, two Brazilian ladies, married to Italians, one of them my hostess, live in Ciriaco's palazzo. On the piano nobile is the magnificent residence of the Brazilian Embassy to the Vatican.

Book by Francesca Cappelletti, "Caravaggio: un ritratto somigliante",
published in December 2009  by Mondadori Electa.

In December 2009, Francesca launched her book “Caravaggio: Un ritratto somigliante”. Specialized in the Italian barroque of which Caravaggio is the maximum exponent, her next book will be about the artists of that period  – architects, sculptors and painters – who built and decorated Palazzo Pamphilj at Piazza Navona in Rome. Palazzo Pamphilj houses the Brazilian Embassy to Italy.

domingo, 16 de setembro de 2012

Meu "encontro" com Caravaggio


Durante muito tempo, a temática religiosa, onipresente na arte antiga italiana, impediu que eu a apreciasse devidamente. Nos museus e galerias, eu passava os olhos correndo pelas obras para evitar a sensação de crescente sufocamento. E as telas de Caravaggio em particular, intensas e algumas vezes até mesmo violentas, me botavam para correr.

Capela Contarelli na Igreja São Luís dos Franceses, em Roma,
decorada com telas de Caravaggio ilustrando a vida de São Mateus.

Mas lá estava eu imobilizada em minha surpresa diante de cenas da vida de São Mateus pintadas por Caravaggio. Os personagens, tão vivos, só faltaram saltar das telas ao serem iluminados repentinamente pelos holofotes da capela Contarelli na Igreja de São Luís dos Franceses em Roma. Um contraste com a penumbra do resto da igreja e com a tarde cinzenta e chuvosa lá fora.

"Vocazione di San Matteo", 1599-1600.
"San Matteo e l'angelo", 1602.
"Il Martirio di San Matteo", 1600-1601.

Aquele seria o primeiro de uma série de "contatos” que eu teria com Caravaggio e que me tornariam cada vez mais consciente e receptiva ao homem e ao artista que ele foi. Depois de décadas sem ir à Itália, eu havia chegado a Roma mais cedo naquele dia de Novembro de 2010, ano do 400º aniversário da morte do pintor, e galhardetes e cartazes espalhavam-se pela cidade anunciando exposições e eventos sobre sua obra.
Francesca Cappelletti, expert no Barroco italiano.

Dias depois, minha anfitriã convidou-me para ver uma exposição do pintor renascentista alemão Cranach na Galeria Borghese acompanhada de sua professora de história da arte, Francesca Cappelletti. Ela, eu vim saber mais tarde, é uma das grandes especialistas atuais sobre a obra de Caravaggio.

Tela de 1602, "La Cattura di Cristo" foi encomendada a Caravaggio por Ciriaco Mattei. Depois de séculos desaparecida, ela foi localizada nos anos 90 em Dublin, na Irlanda, onde está em exposição na National Gallery of Ireland.

O envolvimento de Francesca com Caravaggio começou quando ela, ainda estudante, participou de um trabalho de catalogação das obras do artista coordenado por um de seus professores. Mal sabia ela que isto iria leva-la a ser uma das protagonistas da caça a uma famosa tela do pintor, “A Captura de Cristo”, de 1602, perdida desde o final do século 18. Finalmente localizada na Irlanda na década de 90, a tela é hoje a principal obra em exposição na National Gallery of Ireland, em Dublin.

"The Lost Painting", de Jonathan Harr, foi publicado pela Random House em 2005.
Em 2006, saíram as edições italiana e brasileira, respectivamente pela Rizzoli e pela Intrínseca.

Verdadeira estória de detetive, ela acabou transformada em livro best-seller, "The Lost Painting", de autoria do americano Jonathan Harr, publicado em 2005. E foi justamente presenteando-me com a edição italiana do livro que minha anfitriã despediu-se de mim ao final de minha temporada romana.

No Centro antigo de Roma, a Isola dei Mattei, quarteirão que nos séculos 16 e 17,
reunia vários palazzi da poderosa família.

Minha anfitriã vive em um apartamento num palazzo localizado na isola dei Mattei, quarteirão no centro antigo de Roma que congrega vários palazzi construídos entre os séculos 16 e 17 pelos Mattei, família então poderosa desde a Idade Média. O palazzo era a residência de Ciriaco Mattei que, na virada do século 16 para o 17, era um dos mais importantes colecionadores e mecenas das artes de Roma. Vestígios de sua coleção de mármores antigos ainda podem ser vistos no pátio. Os dias passados ali foram impregnados por suas estórias e as de sua família, a arquitetura de sua residência refletindo uma personalidade visivelmente mais sóbria do que a do irmão Asdrubale, dono do palazzo vizinho, para mim excessivamente decorado.

Qual não foi meu espanto então, ao finalmente ler “Il Caravaggio Perduto”, descobrir que entre 1602 e 1605, patrocinado por Ciriaco, Caravaggio morou em sua casa, instalado, justamente, no mesmo andar que eu! Neste período, ele pintou várias telas por encomenda de seu patrono, inclusive o perdido e reencontrado “A Captura de Cristo”. O tema do quadro lhe foi sugerido por outro irmão de Ciriaco, o Cardeal Girolamo, que, sendo solteiro, também morava na casa de seu irmão mais velho.

Adicionalmente, essa estória adquiriu um viés brasileiro. Hoje, moram no palazzo de Ciriaco, duas brasileiras casadas com italianos, uma delas, minha anfitriã. No piano nobile, está instalada a magnífica residência de nossa Embaixada junto ao Vaticano.

Livro de Francesca Cappelletti, "Caravaggio: un ritratto somigliante",
publicado em Dezembro de 2009  pela Editora Mondadori Electa.

Em Dezembro de 2009, Francesca lançou seu livro “Caravaggio: Un ritratto somigliante”. Especializada no barroco italiano do qual Caravaggio é o expoente máximo, seu próximo livro será sobre os artistas do período  – arquitetos, escultores e pintores – que construíram e decoraram o Palazzo Pamphilj na Piazza Navona em Roma. O Palazzo Pamphilj abriga a Embaixada brasileira na Itália.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Os Jetsons não são o futuro

Anteontem à noite, mas já ontem, 14/Nov, de manhã, em Baikonur no Cazaquistão, a Soyuz TMA-22 partiu em direção à ISS – International Space Station (Estação Espacial Internacional), levando a bordo os astronautas russos Anton Shkaplerov, Anatoly Ivanishin e o americano Dan Burbank. A previsão é que eles cheguem ao destino hoje tarde de – nossa – noite. Quanta coisa conta e transmite esse curto vídeo do lançamento.





Primeiro, como o tempo pode mudar radicalmente de uma hora para outra em Baikonur nessa época do ano. Vi uma foto da Soyuz na plataforma de lançamento em 11/Nov, dia lindo e ensolarado, nem um traço de geada, mas eis que poucos dias depois, o foguete teve que ser lançado em meio à maior tempestade de neve. Mais incrível ainda é lembrar que para o lançamento dos ônibus espaciais, o céu tinha que estar claro. Já a Soyuz é mesmo um veículo off-road (?), na verdade, mais para um Fuscão que encara qualquer estrada.

Quando a gente vê os astronautas espremidinhos dentro dela, então, mais parece um Fuscão decorado para parecer um avião de paraquedistas. E os três??? Parecem estar nem aí para a decolagem, nada treme, estão ocupados lendo seus manuais de vôo – em papel, alguns acondicioandos num nicho na lateral -, fazendo suas anotações a caneta, apertando os controles no painel com uma haste de metal já que não podem se inclinar por conta dos cintos de segurança. Enquanto aguardam os primeiros estágios do foguete desacoplar, tamborilam os dedinhos enluvados. Incongruente mesmo em ambiente tão caseiro só mesmo seus trajes Sokol pressurizados com capacete.

Complementando a cena com um toque kitsch, um dos passarinhos personagem do jogo eletrônico “Angry Birds” balança suavemente na ponta de um cordão, será que pendurado num espelhinho retrovisor??? Alta tecnologia que nada, o brinquedo tem uma função: é o método instantâneo e certeiro de astronautas e controladores de vôo verificarem que a Soyuz entrou em órbita: é quando ele começa a flutuar, reparem! Que coincide perfeitamente com a desacoplagem do 3º estágio do foguete.

Na ISS, o ambiente não é muito diferente: vestindo calças de sarja e camisetas pólo, os três tripulantes assistem ao lançamento da Soyuz TMA-22 pelo computador no laboratório Destiny da NASA. Em meio à parafernália de cabos e equipamentos eletrônicos, fotos do bebê e do cachorro queridos. E eu achava que o futuro ia se parecer com as estórias em quadrinhos dos Jetsons...